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[28/10/2009]

CUT/SP participa de homenagem a Santo Dias na Alesp

Alexandre Gamón

Muitas emoções e lembranças marcaram a noite desta terça-feira (27), na Assembléia Legislativa de São Paulo. As mais de cem pessoas presentes ao Auditório Franco Montoro puderam relembrar a história da militância do metalúrgico Santo Dias, e prestar sua homenagem ao sindicalista assassinado pela Polícia Militar nos anos de chumbo.

O evento teve seu início às 19h, com uma apresentação musical, cujo tema das canções era a vida e a morte de Santo Dias. A mesa de abertura foi composta pelos Deputados Estaduais petistas, Rui Falcão, Marcos Martins, José Zico Prado, Adriano Diogo e Enio Tatto.

A Central Única dos Trabalhadores do Estado de São Paulo e mais dezenove entidades de movimentos sociais prestigiaram a solenidade, que tinha como objetivo lembrar os trinta anos da morte de Santos Dias e homenagear importantes personalidades que dedicaram suas vidas à defesa dos direitos humanos e pela democratização do país.

O primeiro homenageado da noite foi Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, pela sua intensa luta contra a ditadura, pelo fim das práticas de tortura, e em defesa dos menos favorecidos. Quem representou Dom Evaristo, foi o padre Júlio Lancelotti, que aproveitou a ocasião para lembrar o trabalho do arcebispo, e criticar a postura da à imprensa brasileira com relação aos movimentos sociais. “Dom Evaristo em toda sua vida lutou por justiça social, e pelos menos favorecidos, e vale lembrar que justiça social, é também realizar reforma agrária e principalmente democratizar os meios de comunicação. A imprensa burguesa, nunca esteve a favor dos pobres, dos movimentos sociais, e sempre visaram seus próprios interesses”.

O presidente da CUT/SP, Adi dos Santos Lima, homenageou o jurista Hélio Bicudo, e lembrou-se da importância do político durante a ditadura, falou de Santo Dias e da fundação da Central Única dos Trabalhadores. “Hélio foi figura importantíssima para redemocratização do país, pois foi por meio de suas denúncias que a sociedade tomou conhecimento do esquadrão da morte, que cometia barbaridades contra trabalhadores, estudantes, artistas, intelectuais e todos aqueles que lutavam contra a ditadura. Era um momento muito difícil no qual era proibida a participação política dos trabalhadores. A CUT foi uma resposta e uma forma de resistência da classe trabalhadora às arbitrariedades da ditadura. A morte de Santo Dias foi uma covardia, mas os trabalhadores continuaram sua luta em defesa de melhores condições de vida”. 

Ana Maria Dias, esposa e companheira de Santo Dias, recebeu a homenagem da Marcha Mundial de Mulheres.

Como forma de reconhecimento o Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo, e a Liderança do PT na Assembléia, entregaram aos representantes dos homenageados uma moldura com retrato da primeira manifestação do movimento do contra Custo de Vida que ocorreu na Praça da Sé em 1978.

História
No primeiro dia da paralisação, 28 de outubro, as subsedes do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, abertas para abrigar os comandos de greve da categoria, foram invadidas pela Polícia Militar, que prendeu mais de 130 pessoas. Sem o apoio do sindicato e com a intensa repressão policial sobre suas ações, os metalúrgicos passaram a se reunir na Capela do Socorro, sendo a Zona Sul a região de maior concentração da categoria. No dia 30, Santo Dias, como parte do comando de greve, saiu da Capela do Socorro, para engrossar um piquete na frente da fábrica Sylvânia e discutir com os operários que entravam no turno das 14h.

Viaturas da PM chegaram e Santo Dias tentou dialogar com os policiais para libertar companheiros presos. A polícia agiu com brutalidade e o PM Herculano Leonel atirou em Santo Dias pelas costas. Ele foi levado pelos policiais para o Pronto Socorro de Santo Amaro, mas já estava morto. O corpo de Santo Dias só não “desapareceu” por conta da coragem de Ana Maria, sua esposa. Ela entrou no carro que transportava seu corpo para o Instituto Médico Legal, apesar de abalada emocionalmente e pressionada pelos policiais a descer, não cedeu.

Veja aqui as fotos do evento

 
 
 
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