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[24/11/2009]
CUT realiza seminário para debater seguridade social na América latina
Alexandre Gamón
Com o objetivo de debater e informar o movimento sindical nacional e internacional para a problemática da ameaça à seguridade social por meio das políticas neoliberais, a Central Única dos Trabalhadores realiza nesta terça-feira (24), o seminário serviços públicos e proteção social.
O evento que tem previsão para terminar amanhã, conta com a presença de lideranças sindicais argentinas, chilenas e espanholas do convênio da Comisiones Obreras de Asturias.
Na mesa de abertura estavam presentes o presidente da CUT/SP, Adi dos Santos Lima, o Economista e professor da Unicamp, Eduardo Fagnani, a representante no Brasil da Internacional Serviços Públicos e a dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social.
O presidente da CUT/SP, Adi dos Santos, salientou para a necessidade de haver estes encontros com companheiros da América latina para debater as mudanças que ocorreram nos países nas últimas décadas. “O Brasil e o países da América latina como Chile, Argentina e Cuba sofreram grandes perdas nos últimos vinte anos, principalmente no início dos anos 90 decorrentes às políticas neoliberais e por isso é necessário que a classe trabalhadora faça este debate para saber qual o papel do sindicalismo diante da globalização”.
O professor de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani, em sua explanação apresentou dados que comprovam que a experiência brasileira obtida após a constituição de 88, onde se estabeleceu uma série de proteções sociais como previdência urbana e rural, universalização da saúde, assistência social e seguro desemprego pode ajudar a inspirar a reconstrução da proteção social nos países periféricos mais afetados.
Fagnani salientou que o Chile em 1981 foi o primeiro país a privatizar o sistema de previdência social, e fez o contraponto com as ações realizadas no Brasil.
Segundo o professor Eduardo, a previdência social brasileira possibilita que 80% dos idosos com mais de 60 anos recebam pelo menos um salário mínimo, com isso apenas 10% com mais de 65 anos ficam abaixo da linha de pobreza, enquanto no México este percentual é de 30. De acordo com Eduardo se não houvesse essa proteção a pobreza estaria em torno de 75%. Para Fagnani mesmo com as políticas neoliberais implantadas em meados de 90, o Brasil ainda tem oportunidades para avançar ainda mais nos direitos de seus trabalhadores. “Conquistamos muita coisa em 88, porém no decorrer da década sofremos com o neoliberalismo e suas relações de trabalho. Agora após a crise financeira, onde ficou provada a importância de um Estado forte tenho a convicção que o mundo viverá uma nova etapa”.
A Representante no Brasil da Internacional Serviços Públicos, Mônica Valente, ressaltou a importância de se lutar por um serviço público de qualidade, e afirmou que essa é uma bandeira da ISP. “Estamos trabalhando em uma campanha na luta por um serviço público de qualidade. Queremos o acesso universal; o controle social com participação dos usuários e sindicatos, negociação coletiva do serviço público, e a disputa no mundo trabalho no que diz respeito às condições necessárias para o funcionário exercer suas atividades”.
O seminário segue nesta quinta-feira com o tema globalização no estado neoliberal, efeitos para a classe trabalhadora, e a experiência no Brasil.
VISITA
Nesta segunda-feira, os dirigentes sindicais argentinos, chilenos e espanhóis, visitaram a sede da Central única dos Trabalhadores. O Presidente da CUT/SP, Adi dos Santos, recebeu os companheiros da Comisiones Obreras de Asturias para falar sobre o trabalho de cooperação entre os povos e participar do seminário.