Levando São Paulo no bico: base governista tenta encerrar trabalho de investigação do Conselho de Ética
Movimentos sociais e oposição realizam ato nesta quinta-feira (27), na Assembleia, pedindo a abertura da CPI e transparência no governo de São Paulo
Durenate reunião do conselho de ética, base governista formula saídas para tentar barrar a investigação (Foto: Dorival Elze)
Tatiana Melim - CUT/SP
Na tarde desta quarta-feira (26), durante a reunião extraordinária do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia de São Paulo, os sete deputados da base governista que compõem o conselho tentaram barrar, através do requerimento do deputado estadual Campos Machado (PTB), o processo de investigação que apura as denúncias de suposta venda de emendas parlamentares.
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A tentativa era de encaminhar as denúncias ao Ministério Público, que realizaria a apuração em sigilo, para não se tornar ainda mais um problema político para o governo, uma vez que a gravidade das denúncias abre a possibilidade da abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para que a investigação seja ampliada e para que pessoas envolvidas no caso sejam intimadas a depor, além da possibilidade da quebra de sigilos.
Na última sessão extraordinária da assembleia de ontem, dia 25/10, por volta das 21h27, o deputado Roque Barbieri, que trouxe o caso a público durante uma entrevista, voltou a fazer denúncias, porém, dessa vez, citou nomes, como o do deputado Dilmo dos Santos (PV). Além disso, Terezinha Barbosa, testemunha citada pelo deputado Olímpio Gomes, disse que deseja comparecer ao parlamento para dizer o que sabe sobre três deputados, no entanto, tem medo devido a ameaças que sofreu.
Para o deputado estadual e membro do conselho, Luiz Cláudio Marcolino (PT), esses últimos acontecimentos deram mais motivos para que a oposição, representada por apenas dois deputados no conselho de ética, tenha sido contra o requerimento apresentado e a favor da continuidade das investigações através da abertura de uma CPI.
“Foi importante a prorrogação que obtivemos hoje para que tentemos apurar o caso. Porém, se formos depender hoje somente do conselho de ética, nós temos somente dois deputados na comissão contra sete da base do governo. Então, eles têm a possibilidade de enterrar a apuração. Por isso, a pressão popular e dos movimentos sociais é importante para mostrar que a população quer que seja feita de forma transparente a apuração”, explicou Marcolino.
Para o presidente estadual da CUT, Adi dos Santos Lima, que acompanhou toda a reunião, foi nítida a forma como a base governista tentou arquivar a investigação, tentando pular etapas do processo de apuração. “O caso a ser investigado é grave, ainda mais vindo de um parlamentar que acompanha o dia a dia da Assembleia. Além da necessidade da investigação, é necessário que ele se explique, inclusive, publicamente para a população paulista que deve saber se houve desvio de dinheiro público ou não. A sociedade quer e precisa saber. Os deputados devem isso a nós”, exigiu.
Para pressionar os deputados a darem esclarecimento à população, os movimentos sociais e partidos da oposição farão um grande ato amanhã, dia 27, na Assembleia Legislativa. “Convocamos os movimentos sociais, os trabalhadores/as, ou seja, toda a sociedade civil para cobrar a abertura de uma CPI e exigir total transparência na execução do Orçamento Estadual”, finalizou Adi.


