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A Controlar quer "controlar" os tablets do Kassab

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Uma reportagem do Jornal da Tarde publicada na quinta-feira (15) informa que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) vai gastar R$ 138,9 milhões para alugar 10.421 computadores de mão, os tablets, por três anos. A matéria mostra que, se o mesmo valor fosse usado para comprar os tablets mais caros do mercado, seria possível adquirir mais de 53 mil unidades. 

Na tarde desta sexta (16), Kassab anunciou que o contrato havia sido suspenso "para apurar se há irregularidades e esclarecer a opinião pública."

O preço do modelo mais caro comercializado no Brasil, um iPad 2 com 64 gigabytes de memória e conexão 3G, é de R$ 2,6 mil, segundo o site da fabricante, a Apple. Mais de cinco vezes menor do que será pago pela Prefeitura pelo aluguel, portanto.

Mesmo assim, o contrato já tinha sido assinado  – e homologado pela Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município (Prodam) – com a Neel Brasil Tecnologia.

Ligações perigosas

O empresário paulista Carlos Alberto Zafred Marcelino, dono da Neel Brasil, foi acusado em novembro na Operação Sinal Fechado e está foragido da Justiça.

Ele é suspeito de envolvimento na fraude da inspeção veicular, denunciada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte. Naquele estado, a empresa que conquistou o contrato para fazer a inspeção é a Inspar, que tem Carlos Alberto Zafred Marcelino em seus quadros administrativos.

O Ministério Público Estadual de São Paulo, aliás, diz que há provas de que Marcelino participou ativamente da fraude à concorrência para a concessão do serviço de inspeção veicular ambiental no Rio Grande do Norte. Ele teria colaborado na elaboração do projeto que redundou na Lei estadual 9.270/2009, que instituiu  as inspeções veiculares em todo o território potiguar. Também, segundo o MP-SP, participou da elaboração do edital do certame e elaborado respostas às impugnações das empresas concorrentes na licitação.

A investigação aponta ainda que Marcelino teria garantido a não participação da empresa paulista Controlar na licitação da inspeção no Rio Grande do Norte. Segundo a Promotoria, há provas de que ele "participou ativamente da fraude à concorrência" direcionando o edital para que a Inspar fosse a contemplada .

O caso

No Rio Grande do Norte, o Ministério Público identificou um esquema fraudulento no Departamento Estadual de Trânsito, a partir de João Faustino (PSDB), suplente do senador José Agripino Maia (DEM-RN) e dois ex-governadores. A operação Sinal Fechado,  deflagrada em novembro, culminou com a prisão de 14 pessoas e 25 mandados de busca e apreensão.

Em conversas telefônicas de maio deste ano captadas com autorização judicial, o lobista Alcides Fernandes Barbosa, um dos detidos, diz negociar com o prefeito paulistano Gilberto Kassab  o afastamento da Controlar, concessionária do serviço na capital paulista, de licitação congênere no Rio Grande do Norte.

Uma nota divulgada na coluna "Painel" do jornal Folha de S. Paulo, afirma que os promotores identificaram nas conversas telefônicas que  Alcides ligou em 25 de maio para o gabinete de Kassab, identificando-se como "a pessoa que tem a concessão da inspeção veicular no Rio Grande do Norte".

No dia seguinte, o lobista disse a um interlocutor que conseguira falar com o prefeito e que a conversa fora "muito boa". Com base nessas informações, a Justiça daquele estado expediu mandado de prisão preventiva contra Marcelino, que ainda não foi encontrado.

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