Dirigentes sindicais se tornam defensoras das mulheres nos seus locais de trabalho

Formação foi feita pela Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes

Escrito por: Sindicato Nacional dos Aeroportuários • Última modificação: 17/05/2018 - 11:17 • Publicado em: 17/05/2018 - 11:11 Escrito por: Sindicato Nacional dos Aeroportuários Publicado em: 17/05/2018 - 11:11 Última modificação: 17/05/2018 - 11:17

Kalinka Santos/Sina

Nos dias 7, 8 e 9 de maio, cerca de quarenta mulheres – aeroportuárias dirigentes do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), dirigentes sindicais do ramo dos Transportes e trabalhadoras dessas entidades – reuniram-se, em Guarulhos (SP-Brasil), para receber a formação da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) e tornar-se, ou melhor, forjar-se Defensoras das Mulheres nos seus ambientes de trabalho.

Foram três dias de muita coragem. Três dias corridos, de pontualidade britânica, produtividade máxima e sem descanso para aprender informações de extrema relevância e profundidade sobre a condição feminina, a forma como os abusos se constroem sorrateiramente e destroem pessoas, as artimanhas que a cultura patriarcal e escravagista impõe às mulheres, desde o nascimento, para moldá-las à submissão, à dor e ao silêncio.

O curso foi ministrado pela canadense Jodi Evans, a inglesa Claire Clarke, com o apoio da brasileira Andrea Privatti, as três ligadas à ITF (www.itfglobal.org/pt/global), e também pela economista e pesquisadora da Unicamp Marilane Teixeira, que atua junto à ong Sempreviva Organização Feminista – Sof (www.sof.org.br).

“Saímos mais conscientes do fato de que essa é uma luta que não se pode lutar sozinha, e que todas nós, inclusive as que sobreviveram a essas barbáries, juntas, somos capazes de superar essas torturas e traumas e realizar, num trabalho conjunto e de formiga, unidas, dia após dia, a batalha para romper, um a um, os nós dessa corrente de abusos e omissões que nos oprimem. Cientes de que toda forma de discriminação só serve para enfraquecer e escravizar”, completa a diretora do Sina e secretária das Mulheres da CNTTL, Mara Meiry, que trouxe o evento ao Brasil com o apoio do Sindicato.

“O programa é uma colaboração entre a ITF Global e nossos parceiros, para garantir que vamos desenvolver um treinamento adequado para cada país. São três dias de uma grande jornada, um trabalho que não é fácil, e essa situação de violência contra a mulher nos Transportes é uma questão global”, explicou Jodi Evans na abertura do treinamento. “O objetivo é dar capacitação para agir em defesa das mulheres. O momento é de aumentar a ação, ajudar as sobreviventes e evitar que isso continue acontecendo”, completou.

Andrea Privatti destacou que se sentia esperançosa com o objetivo de expandir esse projeto, junto com a ITF, na luta pela igualdade e contra a violência à mulher. “Vamos sair daqui mais fortes e mais unidas para enfrentar esse problema como um time, uma equipe”, afirmou.

O presidente do Sina, Francisco Lemos, prestigiou a abertura do evento e destacou que, na primeira gestão que assumiu, só havia uma mulher na direção do Sindicato. “Tínhamos apenas a Solange Farias. Depois, entrou a Mara Meiry. Hoje somamos 24 mulheres na luta sindical aeroportuária”, comemorou.

“Passamos nossas vidas, desde o nascimento, aprendendo mensagens, e faz parte desse treinamento refletir sobre o que consideramos normal e não é muito saudável. Todas nós já tivemos contato com algum tipo de violência contra a mulher, e o impacto da violência pode acabar com várias vidas. Há muitas táticas e uma gama bastante ampla desses impactos, até o suicídio e o homicídio. Como sindicato, nós temos a capacidade de treinar as mulheres para saberem onde ir, como agir e enfrentar essas questões. Além de desenvolver ferramentas com os empregadores e construir alianças comunitárias, para manter as mulheres seguras”, afirmou Jodi Evans.

Segundo estatísticas, um terço das mulheres do mundo já sofreu abusos. O curso explicou como chefes, sindicalistas, companheiros, homens em geral, agem de forma subliminar (subentendido nas entrelinhas, ou por associação de ideias), disfarçada, realizando assédio ou enfraquecendo e barrando a atuação das mulheres nas empresas, entidades, em casa, impedindo sua reação aos abusos. Desmascarou os mitos que as mulheres devem descartar, como o mito do “custo do trabalho feminino”, que diz que as mulheres custam mais por gerarem filhos e cuidarem deles e da família, quando, na verdade, os homens faltam mais ao trabalho que as mulheres. O curso abordou temas como patriarcado e desigualdade de gênero, os porquês da violência contra as mulheres, identidade, violência no mundo dos Transportes, estudos de caso, o papel das defensoras, assédio e coerção sexual, violência doméstica e seus impactos no trabalho, como ouvir mulheres e ajudá-las com uma rede de suporte.

E então, sobreviventes desses três dias dolorosos, diretoras sindicais aeroportuárias, aeroviárias e aeronautas, trabalhadoras das entidades, painelistas estrangeiras e brasileiras, saíram como fênix desse treinamento, mais preparadas e com ainda mais força, inspiração e garra para essa luta tão necessária, ainda nos dias de hoje.

Título: Dirigentes sindicais se tornam defensoras das mulheres nos seus locais de trabalho, Conteúdo: Nos dias 7, 8 e 9 de maio, cerca de quarenta mulheres – aeroportuárias dirigentes do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), dirigentes sindicais do ramo dos Transportes e trabalhadoras dessas entidades – reuniram-se, em Guarulhos (SP-Brasil), para receber a formação da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) e tornar-se, ou melhor, forjar-se Defensoras das Mulheres nos seus ambientes de trabalho. Foram três dias de muita coragem. Três dias corridos, de pontualidade britânica, produtividade máxima e sem descanso para aprender informações de extrema relevância e profundidade sobre a condição feminina, a forma como os abusos se constroem sorrateiramente e destroem pessoas, as artimanhas que a cultura patriarcal e escravagista impõe às mulheres, desde o nascimento, para moldá-las à submissão, à dor e ao silêncio. O curso foi ministrado pela canadense Jodi Evans, a inglesa Claire Clarke, com o apoio da brasileira Andrea Privatti, as três ligadas à ITF (www.itfglobal.org/pt/global), e também pela economista e pesquisadora da Unicamp Marilane Teixeira, que atua junto à ong Sempreviva Organização Feminista – Sof (www.sof.org.br). “Saímos mais conscientes do fato de que essa é uma luta que não se pode lutar sozinha, e que todas nós, inclusive as que sobreviveram a essas barbáries, juntas, somos capazes de superar essas torturas e traumas e realizar, num trabalho conjunto e de formiga, unidas, dia após dia, a batalha para romper, um a um, os nós dessa corrente de abusos e omissões que nos oprimem. Cientes de que toda forma de discriminação só serve para enfraquecer e escravizar”, completa a diretora do Sina e secretária das Mulheres da CNTTL, Mara Meiry, que trouxe o evento ao Brasil com o apoio do Sindicato. “O programa é uma colaboração entre a ITF Global e nossos parceiros, para garantir que vamos desenvolver um treinamento adequado para cada país. São três dias de uma grande jornada, um trabalho que não é fácil, e essa situação de violência contra a mulher nos Transportes é uma questão global”, explicou Jodi Evans na abertura do treinamento. “O objetivo é dar capacitação para agir em defesa das mulheres. O momento é de aumentar a ação, ajudar as sobreviventes e evitar que isso continue acontecendo”, completou. Andrea Privatti destacou que se sentia esperançosa com o objetivo de expandir esse projeto, junto com a ITF, na luta pela igualdade e contra a violência à mulher. “Vamos sair daqui mais fortes e mais unidas para enfrentar esse problema como um time, uma equipe”, afirmou. O presidente do Sina, Francisco Lemos, prestigiou a abertura do evento e destacou que, na primeira gestão que assumiu, só havia uma mulher na direção do Sindicato. “Tínhamos apenas a Solange Farias. Depois, entrou a Mara Meiry. Hoje somamos 24 mulheres na luta sindical aeroportuária”, comemorou. “Passamos nossas vidas, desde o nascimento, aprendendo mensagens, e faz parte desse treinamento refletir sobre o que consideramos normal e não é muito saudável. Todas nós já tivemos contato com algum tipo de violência contra a mulher, e o impacto da violência pode acabar com várias vidas. Há muitas táticas e uma gama bastante ampla desses impactos, até o suicídio e o homicídio. Como sindicato, nós temos a capacidade de treinar as mulheres para saberem onde ir, como agir e enfrentar essas questões. Além de desenvolver ferramentas com os empregadores e construir alianças comunitárias, para manter as mulheres seguras”, afirmou Jodi Evans. Segundo estatísticas, um terço das mulheres do mundo já sofreu abusos. O curso explicou como chefes, sindicalistas, companheiros, homens em geral, agem de forma subliminar (subentendido nas entrelinhas, ou por associação de ideias), disfarçada, realizando assédio ou enfraquecendo e barrando a atuação das mulheres nas empresas, entidades, em casa, impedindo sua reação aos abusos. Desmascarou os mitos que as mulheres devem descartar, como o mito do “custo do trabalho feminino”, que diz que as mulheres custam mais por gerarem filhos e cuidarem deles e da família, quando, na verdade, os homens faltam mais ao trabalho que as mulheres. O curso abordou temas como patriarcado e desigualdade de gênero, os porquês da violência contra as mulheres, identidade, violência no mundo dos Transportes, estudos de caso, o papel das defensoras, assédio e coerção sexual, violência doméstica e seus impactos no trabalho, como ouvir mulheres e ajudá-las com uma rede de suporte. E então, sobreviventes desses três dias dolorosos, diretoras sindicais aeroportuárias, aeroviárias e aeronautas, trabalhadoras das entidades, painelistas estrangeiras e brasileiras, saíram como fênix desse treinamento, mais preparadas e com ainda mais força, inspiração e garra para essa luta tão necessária, ainda nos dias de hoje.



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