GCM: salário baixo, longa jornada e assédio moral

Prefeitura não fornece sequer coletes, mas obriga guardas a perseguir moradores em situação de rua

Escrito por: vanessa • Publicado em: 26/10/2012 - 18:24 Escrito por: vanessa Publicado em: 26/10/2012 - 18:24
Fotos: Patrick Szymshek/ Creative CommonsFotos: Patrick Szymshek/ Creative Commons

Vanessa Ramos - CUT/SP*

A Guarda Civil Metropolitana de São Paulo completou 26 anos no último mês. Segundo informações da Secretaria Municipal de Segurança Urbana, a GCM, como é conhecida, está presente em todas as regiões da capital e tem entre as suas atividades principais a proteção escolar, ambiental, ao patrimônio e às pessoas.

Essas informações, de caráter público, estão à disposição de qualquer cidadão da sociedade e podem até causar uma sensação de segurança, mas a história é outra. Os servidores da segurança pública nas ruas da capital estão insatisfeitos com a gestão de Gilberto Kassab (PSD), não concordam com a abordagem truculenta à população em situação de rua e, além disso, não se conformam com os baixos salários e a precária condição de trabalho.

Para falar sobre o assunto, a GCM Ana Paula Mendrone, diretora de Divulgação, Comunicação e Imprensa do Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos da Cidade de São Paulo (Sindguardas-SP) comenta alguns aspectos. Confira a íntegra da entrevista.

CUT/SP: Uma das principais críticas feitas à Guarda Civil Metropolitana de São Paulo se refere aos abusos cometidos contra as pessoas em situação de rua. Em relação a isso, existe até mesmo um decreto municipal que garante poder para esse tipo de abordagem. Como isso se dá no cotidiano?

Ana Paula: Na verdade, somos obrigados a interpelar os moradores de rua. Quando não há um trabalho social é isso que o governo resolve fazer e essas pessoas não têm para onde ir.  A única ação que eu me lembro dessa gestão foi o fechamento dos albergues e isso faz com que as pessoas passem a pedir comida e bebida nas ruas, elas estão desassistidas.  E para nós, a ordem do comando é essa: ??tirem essas pessoas, limpem a cidade?. Ninguém gosta de fazer isso, mas eles nos obrigam.

Essas ações se repetem?

Sim, faz parte do cotidiano. Há algum tempo houve uma ação feita na Cracolândia. No local, nenhuma arma foi encontrada, com exceção de alguma droga, mas nem traficante foi preso ali. E foi isso, quem não permaneceu na Cracolândia só mudou de lugar e as pessoas não foram levadas para nenhum tratamento. O que a prefeitura fez foi infernizar a vida delas até que decidissem se mudar. Essa é a política de trabalho dessa gestão e isso tudo sabe por quê? Além da especulação imobiliária, essas pessoas enfeiam o circuito das autoridades e os secretários demonstram que não querem ver isso.

Além dos problemas apresentados, quais os principais problemas enfrentados pela categoria?

Poxa, são muitos. Eles nunca nos valorizaram como trabalhadores. Uma das reivindicações ?? que nunca se resolveu, foi o aumento percentual sobre o salário de nosso Regime Especial de Trabalho Policial (RETP). Hoje, temos 80%, quando cobramos que eles nos paguem 140%.

Outra coisa é que trabalhamos 13 horas por dia e ninguém nunca ouviu falar disso, porque o correto e que está na lei é 12 por 36. Criaram um horário de almoço, quando sequer somos autorizados a tirar a farda e fazer a nossa hora de descanso. Enquanto você está fardado, você está trabalhando e eles sabem disso. Então, estamos trabalhando 13 horas e recebendo por 12.

Em algum momento vocês sofrem com assédio moral?

O assédio moral se dá de diferentes formas. Outra questão se refere aos coletes à prova de bala, material que sequer existe na quantidade que deveria existir. Tem guarda em rodízio de colete, homens usando colete feminino por medo de recusar e ser obrigado a ser colocado em qualquer horário de trabalho, quando às vezes ele tem que fazer bico ?? o que ele faz para aumentar a sua renda e isso não é ilegal. A escala de trabalho é a maior forma de assédio na guarda civil metropolitana.

Volto a dizer sobre a falta de uniforme para a GCM - a prefeitura diz que não tem. Retorna o ciclo do assédio a ponto de fazer com que muitos gastem R$ 80,00 do próprio salário para que possam ter condições mínimas para trabalhar.

*Com supervisão de Flaviana Serafim - MTb.32827

Título: GCM: salário baixo, longa jornada e assédio moral, Conteúdo: Vanessa Ramos - CUT/SP* A Guarda Civil Metropolitana de São Paulo completou 26 anos no último mês. Segundo informações da Secretaria Municipal de Segurança Urbana, a GCM, como é conhecida, está presente em todas as regiões da capital e tem entre as suas atividades principais a proteção escolar, ambiental, ao patrimônio e às pessoas. Essas informações, de caráter público, estão à disposição de qualquer cidadão da sociedade e podem até causar uma sensação de segurança, mas a história é outra. Os servidores da segurança pública nas ruas da capital estão insatisfeitos com a gestão de Gilberto Kassab (PSD), não concordam com a abordagem truculenta à população em situação de rua e, além disso, não se conformam com os baixos salários e a precária condição de trabalho. Para falar sobre o assunto, a GCM Ana Paula Mendrone, diretora de Divulgação, Comunicação e Imprensa do Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos da Cidade de São Paulo (Sindguardas-SP) comenta alguns aspectos. Confira a íntegra da entrevista. CUT/SP: Uma das principais críticas feitas à Guarda Civil Metropolitana de São Paulo se refere aos abusos cometidos contra as pessoas em situação de rua. Em relação a isso, existe até mesmo um decreto municipal que garante poder para esse tipo de abordagem. Como isso se dá no cotidiano? Ana Paula: Na verdade, somos obrigados a interpelar os moradores de rua. Quando não há um trabalho social é isso que o governo resolve fazer e essas pessoas não têm para onde ir.  A única ação que eu me lembro dessa gestão foi o fechamento dos albergues e isso faz com que as pessoas passem a pedir comida e bebida nas ruas, elas estão desassistidas.  E para nós, a ordem do comando é essa: ??tirem essas pessoas, limpem a cidade?. Ninguém gosta de fazer isso, mas eles nos obrigam. Essas ações se repetem? Sim, faz parte do cotidiano. Há algum tempo houve uma ação feita na Cracolândia. No local, nenhuma arma foi encontrada, com exceção de alguma droga, mas nem traficante foi preso ali. E foi isso, quem não permaneceu na Cracolândia só mudou de lugar e as pessoas não foram levadas para nenhum tratamento. O que a prefeitura fez foi infernizar a vida delas até que decidissem se mudar. Essa é a política de trabalho dessa gestão e isso tudo sabe por quê? Além da especulação imobiliária, essas pessoas enfeiam o circuito das autoridades e os secretários demonstram que não querem ver isso. Além dos problemas apresentados, quais os principais problemas enfrentados pela categoria? Poxa, são muitos. Eles nunca nos valorizaram como trabalhadores. Uma das reivindicações ?? que nunca se resolveu, foi o aumento percentual sobre o salário de nosso Regime Especial de Trabalho Policial (RETP). Hoje, temos 80%, quando cobramos que eles nos paguem 140%. Outra coisa é que trabalhamos 13 horas por dia e ninguém nunca ouviu falar disso, porque o correto e que está na lei é 12 por 36. Criaram um horário de almoço, quando sequer somos autorizados a tirar a farda e fazer a nossa hora de descanso. Enquanto você está fardado, você está trabalhando e eles sabem disso. Então, estamos trabalhando 13 horas e recebendo por 12. Em algum momento vocês sofrem com assédio moral? O assédio moral se dá de diferentes formas. Outra questão se refere aos coletes à prova de bala, material que sequer existe na quantidade que deveria existir. Tem guarda em rodízio de colete, homens usando colete feminino por medo de recusar e ser obrigado a ser colocado em qualquer horário de trabalho, quando às vezes ele tem que fazer bico ?? o que ele faz para aumentar a sua renda e isso não é ilegal. A escala de trabalho é a maior forma de assédio na guarda civil metropolitana. Volto a dizer sobre a falta de uniforme para a GCM - a prefeitura diz que não tem. Retorna o ciclo do assédio a ponto de fazer com que muitos gastem R$ 80,00 do próprio salário para que possam ter condições mínimas para trabalhar. *Com supervisão de Flaviana Serafim - MTb.32827



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