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Há mais vagas, mas a questão não é apenas quantitativa

Emprego: quantidade deve ser acompanhada pela qualidade - Por Adi dos Santos Lima

O IBGE divulgou recentemente que a taxa de desemprego no Brasil em dezembro de 2011 foi a menor para o referido mês e também a de toda a série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) iniciada em 2002. Em relação a dezembro de 2010, houve queda de 0,6%. Durante todo o ano passado foi registrado contingente médio de 1,4 milhão de pessoas desocupadas, 10,4% menor que a média de 2010, o que representa a redução de 166 mil desempregados em um ano.

O crescimento do emprego no País, felizmente, já não é novidade. As lacônicas placas de ´não há vagas´ foram substituídas pelo anúncio de trabalho em praticamente todos os segmentos e setores. Mas a mesma condição que leva os brasileiros a comemorar esse desenvolvimento apresenta seu lado negativo: aumenta a oferta, mas não a qualidade do emprego. É evidente que o simples fato de mais trabalhadores contarem com a carteira assinada já representa um salto na garantia de direitos. Mas prosseguem problemas graves, como a falta de segurança, jornada excessiva, não pagamento de horas extras, assédio moral e – ainda – o flagelo do trabalho escravo.

A mesma pesquisa do IBGE aponta a grande disparidade ainda existente na questão salarial. No ano passado as mulheres ganharam cerca de 72,3% do rendimento médio recebido pelos homens (R$ 1.343,81 contra R$ 1.857,64). A diferença permaneceu constante em relação a 2010, interrompendo avanços que vinham ocorrendo desde 2007. Para os trabalhadores negros, o rendimento registrado em 2011 foi de pouco mais da metade do que o recebido pelos trabalhadores brancos. De acordo com o estudo o avanço nos rendimentos foi maior nos serviços domésticos – 5,6%, chegando a 42,4% no período de 2003 a 2011. Mas também aqui é preciso registrar as péssimas condições de trabalho muitas vezes oferecidas a essa categoria, que utiliza inclusive a mão de obra infantil.

Assim, apesar dos avanços, é fácil constatar que ainda estamos distantes das condições que constituem o Trabalho Decente, aquele remunerado de forma adequada e que se desenvolve num ambiente de respeito, liberdade, segurança e igualdade de oportunidades. Gerar empregos é um grande passo, vital para a economia do País e a vida de seus habitantes. Porém é preciso dar prosseguimento à caminhada, para que quantidade e qualidade possam estar lado a lado. Esta é a luta da CUT e de seus sindicatos.

Adi dos Santos Lima é presidente da CUT-SP

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