Programa Formigueiro da CUT aposta na politização da luta

Central leva formação para além dos locais de trabalho

Escrito por: Bruno Pavan - CUT São Paulo • Última modificação: 11/08/2017 - 18:16 • Publicado em: 11/08/2017 - 16:23 Escrito por: Bruno Pavan - CUT São Paulo Publicado em: 11/08/2017 - 16:23 Última modificação: 11/08/2017 - 18:16

Edson Rimonatto/CUT Nacional

O auditório da CUT recebeu nesta sexta-feira (11) um seminário para discutir as vivências promovidas pelo programa Formigueiro da Central que aposta em parcerias com movimentos populares para levar programas de formação a espaços onde o movimento sindical não tem chegado.

Em um país cada vez mais polarizado e com discursos radicais, dirigentes apresentaram os resultados da iniciativa que pretende ampliar a capacidade de mobilização contra retrocessos e pela valorização de iniciativas como apontou o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, em avaliação sobre as manifestações de estudantes secundaristas na Câmara Municipal de São Paulo.

Para o secretário-geral da CUT-SP João Cayres, esse é o momento em que tem de haver um diálogo ainda mais profundo com pessoas que estão em espectros diferentes, inclusive religiosos, para deixar a intolerância de lado. Secretária de Formação da CUT-SP Telma Aparecida Andrade Victor - Foto: Edson Rimonatto/ CUT Nacional Secretária de Formação da CUT-SP Telma Aparecida Andrade Victor - Foto: Edson Rimonatto/ CUT Nacional

“É uma forma das pessoas entenderem o que é esquerda e direita, que hoje muita gente nem sabe mais qual é a diferença. A ideia do Formigueiro é fazer essa conversa e criar pessoas com mais argumentos e tolerância”, disse.

 Levar a formação para fora do movimento sindical

Junto com a CUT, diversos movimentos populares estão no programa, que tem como objetivo levar informação e formação para mais setores da população.

A secretária de Formação da CUT-SP Telma Aparecida Andrade Victor, ressaltou que diante de tantos retrocessos trabalhistas, mais do que nunca é preciso ampliar a capacidade de organização da classe trabalhadora. 

“Nesse momento de golpe, em que esse parlamento conservador coloca retrocessos aos trabalhadores que conquistamos desde a Constituição de 1988, é essencial estender essa experiência de formação pra fora do movimento sindical. Esse programa começou aqui na CUT-SP, mas nosso objetivo é ampliar para outros estados. Temos que socializar todas essas práticas”, apontou. 

Para o assessor da Secretaria de Formação da CUT Nacional, Pérsio Plensack, também é muito importante reaglutinar todas as frentes de esquerda contra as políticas de desmonte dos direitos aos trabalhadores e de avanço conservador. 

“O programa vem nessa perspectiva de fazer o realinhamento com todas as forças reagindo a essas ofensivas da direita. Vimos a necessidade dele a partir do último processo de eleição municipal, que nós víamos um avanço da direita com tudo que há de pior”, disse.Edson Rimonatto/CUT Nacional Edson Rimonatto/CUT Nacional

Experiências práticas

De um ano pra cá, muito foi feito para que o programa tivesse sucesso em diversos lugares do Estado. O coordenador da subsede da CUT na Região de São Carlos, Edinaldo Ferreira, contou como os movimentos conseguiram levar os debates de formação para diversas cidades do interior como Marília, São Carlos e Araraquara e que o conteúdo é muito bem recebido pela população.  

“Estamos aplicando os quatro módulos temáticos do curso que é educação, saúde, mobilidade urbana e direito à moradia. A gente aplica os módulos e a pessoa recebe todo o material para aplicar nas suas casas, grupos de amigos, igrejas entre outros lugares. Em Araraquara já temos grupos nos bairros, um em uma igreja católica e outra companheira que vai fazer na garagem da casa dela junto com o pessoal de uma igreja evangélica”.  

Já na capital, o dirigente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Vandirson da Fonseca Costa, contou sua experiência da atividade que fez na praça Opção Brasil, no bairro do Grajaú, extremo sul da cidade. 

“A experiência foi muito legal porque tivemos a oportunidade de ocupar o espaço público e disputar a narrativa política. Nossa atividade foi uma aula pública sobre direito a educação, mas pra não ficar algo tão rígido, fizemos na linha dos saraus. Um professor chegava e falava sobre educação, um poeta apresentava sua poesia, o músico tocava uma música dele e assim por diante”, encerrou.

Confira, abaixo, o poema do educador social da Escola Sindical SP, Fábio Godoy, lido durante mística do encontro:

POEMA
(Fabio Godoy)

Nós queremos aqui bradar
Na luta se pode esmorecer?
Formiga sozinha não caminha
Formigueiro todo há de vencer

Nesta luta desigual
onde o capital tenta convencer
nós formigas organizadas
formigueiro todo há de vencer

Seja no campo ou na cidade
não deixemos de prosear
nesta luta desigual
formigueiro todo há de vencer

E hoje neste local
nós vamos debater
sobre como organizar
formigueiro todo há de vencer

Título: Programa Formigueiro da CUT aposta na politização da luta, Conteúdo: O auditório da CUT recebeu nesta sexta-feira (11) um seminário para discutir as vivências promovidas pelo programa Formigueiro da Central que aposta em parcerias com movimentos populares para levar programas de formação a espaços onde o movimento sindical não tem chegado. Em um país cada vez mais polarizado e com discursos radicais, dirigentes apresentaram os resultados da iniciativa que pretende ampliar a capacidade de mobilização contra retrocessos e pela valorização de iniciativas como apontou o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, em avaliação sobre as manifestações de estudantes secundaristas na Câmara Municipal de São Paulo. Para o secretário-geral da CUT-SP João Cayres, esse é o momento em que tem de haver um diálogo ainda mais profundo com pessoas que estão em espectros diferentes, inclusive religiosos, para deixar a intolerância de lado.  “É uma forma das pessoas entenderem o que é esquerda e direita, que hoje muita gente nem sabe mais qual é a diferença. A ideia do Formigueiro é fazer essa conversa e criar pessoas com mais argumentos e tolerância”, disse.  Levar a formação para fora do movimento sindical Junto com a CUT, diversos movimentos populares estão no programa, que tem como objetivo levar informação e formação para mais setores da população. A secretária de Formação da CUT-SP Telma Aparecida Andrade Victor, ressaltou que diante de tantos retrocessos trabalhistas, mais do que nunca é preciso ampliar a capacidade de organização da classe trabalhadora.  “Nesse momento de golpe, em que esse parlamento conservador coloca retrocessos aos trabalhadores que conquistamos desde a Constituição de 1988, é essencial estender essa experiência de formação pra fora do movimento sindical. Esse programa começou aqui na CUT-SP, mas nosso objetivo é ampliar para outros estados. Temos que socializar todas essas práticas”, apontou.  Para o assessor da Secretaria de Formação da CUT Nacional, Pérsio Plensack, também é muito importante reaglutinar todas as frentes de esquerda contra as políticas de desmonte dos direitos aos trabalhadores e de avanço conservador.  “O programa vem nessa perspectiva de fazer o realinhamento com todas as forças reagindo a essas ofensivas da direita. Vimos a necessidade dele a partir do último processo de eleição municipal, que nós víamos um avanço da direita com tudo que há de pior”, disse. Experiências práticas De um ano pra cá, muito foi feito para que o programa tivesse sucesso em diversos lugares do Estado. O coordenador da subsede da CUT na Região de São Carlos, Edinaldo Ferreira, contou como os movimentos conseguiram levar os debates de formação para diversas cidades do interior como Marília, São Carlos e Araraquara e que o conteúdo é muito bem recebido pela população.   “Estamos aplicando os quatro módulos temáticos do curso que é educação, saúde, mobilidade urbana e direito à moradia. A gente aplica os módulos e a pessoa recebe todo o material para aplicar nas suas casas, grupos de amigos, igrejas entre outros lugares. Em Araraquara já temos grupos nos bairros, um em uma igreja católica e outra companheira que vai fazer na garagem da casa dela junto com o pessoal de uma igreja evangélica”.   Já na capital, o dirigente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Vandirson da Fonseca Costa, contou sua experiência da atividade que fez na praça Opção Brasil, no bairro do Grajaú, extremo sul da cidade.  “A experiência foi muito legal porque tivemos a oportunidade de ocupar o espaço público e disputar a narrativa política. Nossa atividade foi uma aula pública sobre direito a educação, mas pra não ficar algo tão rígido, fizemos na linha dos saraus. Um professor chegava e falava sobre educação, um poeta apresentava sua poesia, o músico tocava uma música dele e assim por diante”, encerrou. Confira, abaixo, o poema do educador social da Escola Sindical SP, Fábio Godoy, lido durante mística do encontro: POEMA (Fabio Godoy) Nós queremos aqui bradar Na luta se pode esmorecer? Formiga sozinha não caminha Formigueiro todo há de vencer Nesta luta desigual onde o capital tenta convencer nós formigas organizadas formigueiro todo há de vencer Seja no campo ou na cidade não deixemos de prosear nesta luta desigual formigueiro todo há de vencer E hoje neste local nós vamos debater sobre como organizar formigueiro todo há de vencer



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