Sindicato dos Metalúrgicos garante emprego de 500 trabalhadores na Mercedes-Benz

Pelo acordo entre a entidade e a montadora, os 484 trabalhadores terão seus contratos prorrogados até 31 de março de 2013. Como contrapartida, vão abrir mão da segunda parcela da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

Escrito por: flaviana • Publicado em: 12/11/2012 - 16:25 Escrito por: flaviana Publicado em: 12/11/2012 - 16:25
Trabalhadores aprovam proposta que prorroga contratos. Foto: Paulo de Souza / SMABCTrabalhadores aprovam proposta que prorroga contratos. Foto: Paulo de Souza / SMABC

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Após semanas de negociações e pressão dos trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC conseguiu evitar as demissões de 484 trabalhadores na Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo. Os contratos (por prazo determinado) venceriam no próximo domingo (18) e os trabalhadores já haviam até recebido telegrama da empresa, na semana passada, que comunicava a dispensa. Foram orientados pelo Sindicato a rasgar o comunicado. Rasgaram.

Pelo acordo negociado entre o Sindicato e a montadora e aprovado por unanimidade em assembleia realizada nesta segunda-feira (12), na sede, os 484 trabalhadores  terão seus contratos prorrogados até 31 de março de 2013. Como contrapartida, vão abrir mão da segunda parcela da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

Após aprovado, o acordo foi comemorado pelos mais de 1.000 trabalhadores que participaram da assembleia. Todos estão desde junho deste ano afastados da fábrica por prazo determinado por conta do lay off (saiba mais abaixo) também negociado pelo Sindicato para evitar as demissões, já naquela data, de 1.500 trabalhadores em consequência da queda na produção e vendas de caminhões registrada desde janeiro.

A partir de agora, os 484 que tiveram seus contratos prorrogados estão fora do lay off ?? cuja remuneração é composta por bolsa de estudos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e complementação da empresa -, mas continuam sem data para retornar ao trabalho. Até março, o salário será pago integralmente pela montadora, conforme acordo com o Sindicato. Os demais 1.000 trabalhadores seguem afastados e em curso até 31 de janeiro de 2013. A expectativa da direção do Sindicato é que o mercado, que já começou a reagir, retome produção e vendas a partir do primeiro trimestre do ano que vem.

Nobre vai ao Ministério -  Conforme a lei trabalhista (art. 451 da CTL), contratos por prazo determinado não poderiam ser renovados mais do que duas vezes e este era um dos impedimentos alegados pela empresa para manter os 484 contratados. O presidente do Sindicato e secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, buscou uma alternativa para derrubar essa trava. Foi à Superintendência Regional do Ministério do Trabalho em São Paulo e voltou de lá com a solução do acordo que foi negociado com a Mercedes-Benz e aprovado pelos trabalhadores nesta segunda-feira.

??Vencemos uma batalha, mas a guerra continua e tem datas marcadas para novas lutas: em 31 de janeiro e 31 de março?, disse o secretário de Organização do Sindicato, Moisés Selerges Jr., na assembleia, ao destacar ter certeza de que o mercado vai reagir e que os trabalhadores voltarão ao trabalho muito antes de março.

O diretor de comunicação do Sindicato, Valter Sanches, também destacou a confiança do Sindicato na reação do mercado por conta das medidas aprovadas pelo governo federal para incentivar o setor e lembrou que o acordo aprovado hoje é mais um entre os vários que o Sindicato negociou ao longo do ano, tanto com a empresa como com  o governo para garantir os empregos à toda categoria.

Histórico do caso - o setor de caminhões enfrentou este ano queda na produção e vendas por conta da crise internacional mas, também, da nova tecnologia (Euro 5). Adotada no início de 2012, a tecnologia é menos poluente, mas elevou o preço do caminhão em 15% e provocou uma antecipação de vendas em 2011, com consequente retração este ano.  O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tem quatro montadoras na sua base, onde trabalham 35 mil metalúrgicos de um total de 105 mil. São elas Volkswagen, Mercedes-Benz, Ford e Scania, todas instaladas em São Bernardo do Campo, onde são produzidos 55% de todos os caminhões fabricados no Brasil, além de outros veículos leves ?? somente a VW não produz caminhões no ABC.

Para evitar demissões no setor, o Sindicato passou o ano negociando permanentemente com as quatro montadoras medidas de proteção de emprego, que se adequaram e atenderam as diferentes realidades de cada fábrica. Acordos de banco de horas, férias coletivas, licença remunerada e liberação do trabalho para qualificação profissional (conhecido como lay off) garantiu o emprego na base nesse período de turbulência interna e externa.

Na Mercedes-Benz - Por conta dessa queda de produção e vendas de caminhões, a Mercedes anunciou ter excedente de mão de obra. Em junho, o Sindicato negociou e conseguiu fazer o primeiro lay off na montadora. 1.500 trabalhadores tiveram os contratos de trabalho suspensos entre 18 de julho e 18 de novembro. Pelo lay off (previsto na CLT), os trabalhadores ficam em casa e fazem 300 horas de curso de qualificação profissional e recebeM mensalmente bolsa do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e complementação da empresa que garante total equivalente ao salário líquido dos afastados.

Eles também têm direitos trabalhistas (férias, 13° salário, reajustes) e benefícios (como plano de saúde) preservados e farão curso gratuito de qualificação profissional no Senai com duração de 300 horas. A qualificação é condição essencial para se adotar o lay off e ter direito à bolsa do FAT.

Em setembro, ainda com o mercado em reação, outro acordo negociado pelo sindicato e aprovado em assembleia dos trabalhadores  prorrogou o lay off até 31 de dezembro de 2013 (dos efetivos). Como contrapartida, reajustes salariais ficaram congelados até 31 de janeiro de 2013 para todos os 13 mil trabalhadores da fábrica. O acordo também autorizou a montadora a adotar a chamada semana reduzida, com quatro e não cinco dias de produção.mas em redução de salário, apesar da redução da jornada de trabalho.

Em outras frentes, o presidente do Sindicato, Sérgio Nobre, esteve em Brasília com ministros de diferentes pastas para apresentar propostas e buscar soluções que preservassem os empregos na base. Sergio integra o Conselho Consultivo Automotivo, do Plano Brasil Maior. O sindicato também apresentou propostas para o setor de caminhões e o governo concedeu isenções e incentivos, exigindo contrapartidas de não demissão no setor.

Título: Sindicato dos Metalúrgicos garante emprego de 500 trabalhadores na Mercedes-Benz, Conteúdo: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Após semanas de negociações e pressão dos trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC conseguiu evitar as demissões de 484 trabalhadores na Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo. Os contratos (por prazo determinado) venceriam no próximo domingo (18) e os trabalhadores já haviam até recebido telegrama da empresa, na semana passada, que comunicava a dispensa. Foram orientados pelo Sindicato a rasgar o comunicado. Rasgaram. Pelo acordo negociado entre o Sindicato e a montadora e aprovado por unanimidade em assembleia realizada nesta segunda-feira (12), na sede, os 484 trabalhadores  terão seus contratos prorrogados até 31 de março de 2013. Como contrapartida, vão abrir mão da segunda parcela da PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Após aprovado, o acordo foi comemorado pelos mais de 1.000 trabalhadores que participaram da assembleia. Todos estão desde junho deste ano afastados da fábrica por prazo determinado por conta do lay off (saiba mais abaixo) também negociado pelo Sindicato para evitar as demissões, já naquela data, de 1.500 trabalhadores em consequência da queda na produção e vendas de caminhões registrada desde janeiro. A partir de agora, os 484 que tiveram seus contratos prorrogados estão fora do lay off ?? cuja remuneração é composta por bolsa de estudos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e complementação da empresa -, mas continuam sem data para retornar ao trabalho. Até março, o salário será pago integralmente pela montadora, conforme acordo com o Sindicato. Os demais 1.000 trabalhadores seguem afastados e em curso até 31 de janeiro de 2013. A expectativa da direção do Sindicato é que o mercado, que já começou a reagir, retome produção e vendas a partir do primeiro trimestre do ano que vem. Nobre vai ao Ministério -  Conforme a lei trabalhista (art. 451 da CTL), contratos por prazo determinado não poderiam ser renovados mais do que duas vezes e este era um dos impedimentos alegados pela empresa para manter os 484 contratados. O presidente do Sindicato e secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, buscou uma alternativa para derrubar essa trava. Foi à Superintendência Regional do Ministério do Trabalho em São Paulo e voltou de lá com a solução do acordo que foi negociado com a Mercedes-Benz e aprovado pelos trabalhadores nesta segunda-feira. ??Vencemos uma batalha, mas a guerra continua e tem datas marcadas para novas lutas: em 31 de janeiro e 31 de março?, disse o secretário de Organização do Sindicato, Moisés Selerges Jr., na assembleia, ao destacar ter certeza de que o mercado vai reagir e que os trabalhadores voltarão ao trabalho muito antes de março. O diretor de comunicação do Sindicato, Valter Sanches, também destacou a confiança do Sindicato na reação do mercado por conta das medidas aprovadas pelo governo federal para incentivar o setor e lembrou que o acordo aprovado hoje é mais um entre os vários que o Sindicato negociou ao longo do ano, tanto com a empresa como com  o governo para garantir os empregos à toda categoria. Histórico do caso - o setor de caminhões enfrentou este ano queda na produção e vendas por conta da crise internacional mas, também, da nova tecnologia (Euro 5). Adotada no início de 2012, a tecnologia é menos poluente, mas elevou o preço do caminhão em 15% e provocou uma antecipação de vendas em 2011, com consequente retração este ano.  O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tem quatro montadoras na sua base, onde trabalham 35 mil metalúrgicos de um total de 105 mil. São elas Volkswagen, Mercedes-Benz, Ford e Scania, todas instaladas em São Bernardo do Campo, onde são produzidos 55% de todos os caminhões fabricados no Brasil, além de outros veículos leves ?? somente a VW não produz caminhões no ABC. Para evitar demissões no setor, o Sindicato passou o ano negociando permanentemente com as quatro montadoras medidas de proteção de emprego, que se adequaram e atenderam as diferentes realidades de cada fábrica. Acordos de banco de horas, férias coletivas, licença remunerada e liberação do trabalho para qualificação profissional (conhecido como lay off) garantiu o emprego na base nesse período de turbulência interna e externa. Na Mercedes-Benz - Por conta dessa queda de produção e vendas de caminhões, a Mercedes anunciou ter excedente de mão de obra. Em junho, o Sindicato negociou e conseguiu fazer o primeiro lay off na montadora. 1.500 trabalhadores tiveram os contratos de trabalho suspensos entre 18 de julho e 18 de novembro. Pelo lay off (previsto na CLT), os trabalhadores ficam em casa e fazem 300 horas de curso de qualificação profissional e recebeM mensalmente bolsa do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e complementação da empresa que garante total equivalente ao salário líquido dos afastados. Eles também têm direitos trabalhistas (férias, 13° salário, reajustes) e benefícios (como plano de saúde) preservados e farão curso gratuito de qualificação profissional no Senai com duração de 300 horas. A qualificação é condição essencial para se adotar o lay off e ter direito à bolsa do FAT. Em setembro, ainda com o mercado em reação, outro acordo negociado pelo sindicato e aprovado em assembleia dos trabalhadores  prorrogou o lay off até 31 de dezembro de 2013 (dos efetivos). Como contrapartida, reajustes salariais ficaram congelados até 31 de janeiro de 2013 para todos os 13 mil trabalhadores da fábrica. O acordo também autorizou a montadora a adotar a chamada semana reduzida, com quatro e não cinco dias de produção.mas em redução de salário, apesar da redução da jornada de trabalho. Em outras frentes, o presidente do Sindicato, Sérgio Nobre, esteve em Brasília com ministros de diferentes pastas para apresentar propostas e buscar soluções que preservassem os empregos na base. Sergio integra o Conselho Consultivo Automotivo, do Plano Brasil Maior. O sindicato também apresentou propostas para o setor de caminhões e o governo concedeu isenções e incentivos, exigindo contrapartidas de não demissão no setor.



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