Servidores de Ourinhos realizam paralisação histórica
Servidores de Ourinhos realizam paralisação histórica
A categoria rejeitou as novas propostas feitas pela administração municipal, e está em “estado de greve”
Felipe Chamorro – CUT Ourinhos
Mais de mil servidores públicos municipais e autárquicos realizaram ontem, (15/4), uma paralisação histórica. Pela primeira vez em Ourinhos um prefeito teve que enfrentar uma manifestação como essa do funcionalismo público.
A paralisação de alerta foi uma reação a proposta feita pelo prefeito Toshio Misato (PSDB), de 4,8% de reajuste salarial e auxílio-alimentação de R$ 70,00.
Os servidores, através de seu Sindicato, pleiteiam 30% de aumento e que o auxílio alimentação, hoje firmado em R$ 49,50, passe para R$ 150,00.
Depois de intensa organização do Sindicato dos Servidores, a categoria aderiu a paralisação. Funcionários da SAE (Superintendência de Água e Esgoto), coletores de lixo, trabalhadores do departamento de obras, Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, pátio, professores de Rede Municipal de Educação, funcionários da Secretaria da Cultura e dos postos de saúde cruzaram os braços em protesto a política salarial da administração Toshio.
Inicialmente os servidores se aglomeraram em frente a SAE, ETA (Estação de Tratamento de Água) e Departamentos de Obras e, em seguida, por volta das 9h, rumaram em passeata para a Prefeitura Municipal, onde permaneceram com faixas, cartazes e carros de som durante todo o período da manhã.
Diante da paralisação dos servidores, a administração Toshio se viu obrigada a reabrir as negociações com o Sindicato, fazendo duas novas propostas à categoria.
A primeira, de aumento linear para todos os trabalhadores de 5% e auxílio alimentação de R$ 70,00; e a segunda de aumento de R$ 50,00 para todos os servidores e auxílio alimentação de R$ 80,00.
A proposta foi levada a categoria pela presidente do Sindicato, Márcia Corte Vita Damasceno, em Assembléia Geral Extraordinária, promovida em frente a Prefeitura, no mesmo dia, por volta das 12h30 e novamente rechaçada pelos Servidores.
Os funcionários públicos municipais decidiram manter sua pauta de reivindicações (ou seja, reajuste de 30% e auxílio alimentação de R$ 150,00) e, com isso, o presidente do Sindicato dos Servidores, após a deliberação da categoria, deflagrou o “estado de greve”.
“Os funcionários públicos não aceitaram a proposta da administração e o Sindicato continua a apoiá-los incondicionalmente, por isso deflagramos o ‘estado de greve’. A paralisação de hoje demonstra o poder de organização dos servidores e sua força. Se for necessário, continuaremos a realizar manifestações, paralisações e até mesmo uma greve”, afirmou Márcia Vita.
Mesmo com a reprovação da proposta feita pela Prefeitura, por parte dos funcionários públicos municipais, o Secretário Municipal da Administração, André Mello, afirmou que enviará o Projeto de Lei de reajuste de 5% e auxílio alimentação de R$ 70,00 para a votação dos vereadores, na próxima sessão ordinária da Câmara Municipal de Ourinhos.
De acordo com Márcia Vita, os trabalhadores vão acompanhar a sessão para pressionar os vereadores na tentativa de reprovação do projeto. “Assim como fizemos na sessão passada, os servidores vão lotar a Câmara Municipal para tentar impedir que os vereadores aprovem esse reajuste com o qual a categoria não concorda”.
O único vereador presente na manifestação dos servidores, o presidente da Câmara, Antônio Amaral Júnior (“Toninho do PT”), foi convidado a discursar durante a assembleia e garantiu seu apoio à categoria, na tentativa de conquistar um reajuste salarial mais digno aos servidores.


